TABAGISMO: UMA FATAL QUEIMADINHA PRÊT À PORTER
UMA NANOQUEIMADA NA PONTA NO NARIZ

 


 

 

 

MINHA (in)EXPERIÊNCIA COM O CIGARRO


       Na primeira metade da década de 80, quando era professor na Universidade Estadual de Londrina e, ainda, se permitia fumar em sala, eu já solicitava aos alunos para que não fumassem durante minhas aulas teóricas. Nas aulas práticas, já era proibido, em razão do uso de reagentes inflamáveis.

       Naqueles tempos heróicos, em reuniões, os professores agrupavam-se em dois setores: a ala dos fumantes ativos e a ala dos fumantes passivos. E como fumávamos todos!

       Nas viagens de ônibus, no trajeto entre Campinas e Londrina, eram freqüentes os problemas, nos anos 80 e 90. Eu comprava, sempre, um assento junto à janela. Quando alguém fumava, eu abria a janela, mesmo nas madrugadas de inverno. Muitas foram as encrencas. Naquelas épocas insensatas, os ônibus eram câmaras de gases ambulantes! Num certo ano, foi aprovada uma Lei Federal, que cerceava o fumo nos ônibus interestaduais, mas, ai, sempre faltava uma regulamentação, a operacionalização da lei, enfim. Tudo muuuuito leeeennnnto! E tome contenciosos! Atualmente, mesmo com a plena vigência da lei, não é raro um atrevido, ainda, fumar no banheiro do ônibus. É uma luta constante! Como tem gente incorrigível!

       Há muitos anos, quando ainda era permitido fumar no interior dos estabelecimentos bancários de Campinas, eu costumava carregar uma máscara com filtro contra gases orgânicos, na bolsa tiracolo. Caso alguém fumasse, eu passava a usar, ostensiva e defensivamente, o meu salva-vidas.

       Atualmente, (em verdade, de há muito tempo!) o cheiro de cigarro me faz, num passe de trágica mágica, perder a alegria; o miasma dos cigarros me amofina. Se vou por uma calçada, e a pessoa à frente está fumando, chego a mudar para o outro lado da rua. Ou, conforme o caso, acelero o passo, ou, então, dou um tempo, para o distanciamento. Há situações em que prendo a respiração (faço apnéia voluntária). Eu penso que é injusto que eu, também, usufrua do cigarro que foi, integralmente, pago pelo fumante! Ele que se farte (e infarte!), plenamente, das cinco mil substâncias químicas contidas ou pirossintetizadas no cigarro.

       Ao não fumarmos, estamos só negando cerca de 86% do custo desse vício, em impostos, aos governos. Como já pagamos muiiiiitííííssimo, em variadíssimos impostos, e, o pior, sem a contrapartida equivalente e justa em serviços e infra-estrutura, parece-me bastante razoável tal só negação.

       Em março de 2005, estive em Londrina (PR). Passando defronte uma loja, deparei com um cartaz, do Ministério da Saúde, onde representam-se frascos e embalagens de cinco químicas utilizadas no cotidiano dos nossos lares, todas em volta de uma bituca de cigarro, do qual integram a composição. A funcionária da loja acabou presenteando-me com o cartaz. Nele, aparece o seguinte arsenal químico: acetona (removedor de esmaltes); amônia (desinfetante para pisos, azulejos e privadas); fósforo P4/P6 (usado em veneno para ratos); naftalina (eficiente mata-baratas) e terebintina (que dilui tinta a óleo). Ilustra, também, uma sexta droga, o formol, usada para conservação de cadáveres. E tem gente que diz que o cigarro não é droga! O cigarro é um verdadeiro Merck Index!

       Na porta da minha sala há dois adesivos rutilantes. Num deles, lê-se: 100% saúde, 100 cigarro. No outro, área para fumantes a 100 km daqui.

CIÊNCIA E CONSCIÊNCIA CONTRA O TABAGISMO


       Fumar na presença de crianças é uma tentativa de infanticídio, pois todos conhecem as conseqüências dessa atitude. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) confirmam que a fumaça ambiental do tabaco – aspirada tanto por quem fuma como por quem não tem esse vício – é a terceira causa de morte evitável no mundo. Só perde para o tabagismo ativo e para o alcoolismo. Além de provocar câncer e doenças cardíacas, a fumaça do cigarro alheio está ligada ao desenvolvimento de asma e à síndrome da morte súbita infantil, que pode matar crianças de até um ano de idade. Esse mal é cerca de cinco vezes mais freqüente em bebês expostos à fumaça do tabaco. Embora os riscos para fumantes passivos sejam enormes, muita gente ainda tem comportamento negligente.

       Já se constatou que crianças fumantes passivas apresentam pior desempenho escolar, em comparação com crianças não expostas á fumaça do cigarro. Os efeitos maléficos do fumo, sobre a criança, podem começar antes mesmo do nascimento, ocorrendo já durante sua vida intra-uterina. A gestante fumante pratica um atentado contra a vitalidade do seu bebê.
       A vulnerabilidade das crianças ao fumo passivo é causa de particular preocupação, por motivos tanto médicos como éticos. Os pulmões da criança são menores e o seu sistema imunitário é menos desenvolvido – fato que as torna mais sujeitas a contrair infecções respiratórias e otites em virtude do fumo “por tabela”. Como são menores e respiram mais aceleradamente do que os adultos, as crianças inalam com a respiração um volume maior de substâncias químicas perniciosas, por unidade de peso, do que aconteceria com um adulto, no mesmo período de tempo.
       Finalmente, a criança tem menos opções do que os adultos. Ela tem menor possibilidade de sair de uma sala cheia de fumaça, se assim desejar. A criança de colo não tem meios de pedir; outras podem sentir-se pouco à vontade para fazer isso. Outras, ainda, podem não ter permissão para sair, se chegarem a pedir isso.
       A exposição involuntária à fumaça do tabaco pode exercer, sobre a saúde humana, efeitos tanto de longo prazo como imediatos. Contam-se entre os efeitos imediatos a irritação dos olhos, do nariz, da garganta e dos pulmões. Os não fumantes, que geralmente são mais sensíveis aos efeitos tóxicos da fumaça do tabaco do que os fumantes, podem sofrer dores de cabeça, náusea e vertigens. O tabagismo passivo impõe um esforço adicional ao coração e afeta a capacidade do organismo de absorver e utilizar oxigênio. A longo prazo, após anos de exposição, o impacto do fumo de segunda mão é o aumento da ocorrência de câncer e cardiopatias. Para os asmáticos, porém, a fumaça do tabaco pode trazer perigo imediato e provocar ataques. A maioria dos asmáticos relata sintomas que vão do mal-estar ao desconforto agudo, em virtude da exposição à fumaça de segunda mão.

MIX

 

 

 

 

 

 

 


       O cigarro contém, aproximadamente, 5 000 substâncias químicas, já isoladas em laboratório. Cerca de 80 delas são cancerígenas.

       A cada ano, no Brasil, mais de 80 000 pessoas deixam de fumar, definitivamente. Morrem!


       A vida não está fácil. Abrevie as suas dificuldades. FUME!

       SUICÍDIO A PRESTAÇÃO: Sem juros e com módicas tragadas horárias, você vai se creditando a uma reluzente e lustrosa urna funerária e a um florido jazigo, em aprisco sossegado e seguro, na alvissareira Cia de inúmeros ex-fumantes. Corra ao supermercado mais próximo e compre logo um pacotão, reduzindo assim o prazo do seu crediário. Afinal, 2? as estatísticas funerárias, a cada dia é maior o contingente de ex-fumantes. JUNTE-SE A ELES.....FUME! Brinde da casa (inteiramente grátis): um séquito de carpideiras.

       A fumaça do seu cigarro é o resíduo do seu prazer, porém ela polui o ar, meus cabelos, minhas roupas, minha casa e, pior de tudo, meus pulmões, e tudo isso sem o meu consentimento.
       Acontece que eu também tenho um prazer: gosto de tomar umas cervejinhas. O resíduo do meu prazer é a urina. Você ficaria muito aborrecido(a) se eu urinasse na sua cabeça?
       Então se manque e não fume mais aqui, pô!

       Informações extraídas de um maço de cigarros, que recolhi do chão, dias atrás: 'O Ministérios da Saúde adverte: Crianças que convivem com fumantes têm mais asma, pneumonia, sinusite e alergia". Disque Pare de Fumar: 0800 703 7033. Este produto contém mais de 4.700 substâncias tóxicas, e nicotina que causa dependência física ou psíquica. Não existem níveis seguros para consumo destas substâncias. Alcatrão: 8 mg; nicotina 0,7 mg; monóxido de carbono: 9 mg. Venda proibida a menores de 18 anos - Lei 8.069/1990 e Lei 10.702/2003.

       Oito pessoas viciadas em cigarro morrem, no mundo, a cada minuto. Ou seja, o tabagismo produz mais de quatro milhões de cadáveres, por ano. Esta é a verdadeira guerra química globalizada. Ou seja, o tabaco é a maior arma química do nosso planetinha. É óbvio que os vampiros do tabaco necessitam, a cada minuto, obter sangue novo, para manter a máquina da morte em funcionamento perpétuo. E dá-lhe mídias! E os zilhões, em impostos, que entram para os cofres governamentais?

       Uma indústria exportadora de tabaco, em maravilhosa e tétrica publicidade, afirma gerar algumas centenas de milhares de empregos indiretos. Penso, entretanto, que seus números são bem modestos e conservadores. Certamente, esqueceu-se de incluir os empregados em: funerárias; cemitérios; templos e terreiros; produtores e vendedores de flores e seus agregados; fabricantes de parafina e velas; indústrias montadoras de rabecões; indústrias de aparelhos, materiais e insumos hospitalares e assemelhados; indústrias farmacêuticas; indústrias de próteses; indústria das carpideiras inter alia.

       O agronegócio do fumo é um necronegócio! O negócio das doenças, do sofrimento, da morte e do pesar!

       E por falar em fumo, aí vem mais um, e do bem grosso. Um fumo goiano, urdido no planalto central. Um projeto cria mais um imposto. Desta vez, para aqueles que, em algum momento do seu pretérito, conquistaram algum diploma superior (graduação, mestrado ou doutorado), em qualquer Instituição Pública do país. Como diz o slogan da Jovem Pan: Brasil, o país dos impostos! E quanto às contrapartidas? Ora bolas! Necessitam de meticuloso exame com lupa!

       É um absurdo o descaso do governo com a saúde do povo (Arnaldo Jabor, CBN, 9/5/2005, comentando sobre os trigêmeos prematuros mortos em Marabá, PA, por falta de UTI neonatal, bem como sobre a densa fumaça de queimadas florestais, que recobre essa cidade de 200 000 vítimas). Eu só discordo do fato de a palavra governo estar grafada no singular.

       SERÁ QUE OS NOSSOS GOVERNANTES, QUE AUFEREM VULTOSAS SOMAS EM IMPOSTOS SOBRE A FUMAÇA DO CIGARRO, ESTARIAM, MINIMAMENTE, PREOCUPADOS COM A FUMAÇA DAS QUEIMADAS? NÃO DÁ PRÁ ACREDITAR!

       O subdesenvolvimento não se improvisa. O subdesenvolvimento é obra de séculos! Mais de cinco.

       Afinal, o Brasil não é um país doente. O Brasil é um país bêbado. É diferente. The Economist, revista inglesa.

       Países e instituições que não levam em conta a realidade são pagos com a mesma moeda. A realidade também não os leva em conta. Karl Heindrich Marx, filósofo alemão.

       Se há avanço tecnológico sem avanço educacional, temos automaticamente o avanço da exclusão e da miséria. Michael Harrington, sociólogo amerlcano.

       A novidade que tem no Brejo da Cruz é a criançada alimentar-se de luz. Chico Buarque de Hollanda, músico e poeta.

       Saneamento ambiental também é saneamento fiscal. Cada real aplicado em água e no tratamento de esgotos implica na economia de mais de quatro reais, em saúde (Joelmir Beting, Rádio Bandeirantes, 10/12/2004). E quanto ao AR, que também necessita de saneamento? A menos que, em breve, possamos receber (e pagar caro) por ar encanado, em nossas casas!

       O fácil está feito!

       Não sei o que vem pela frente. Só espero que seja pela frente. Saul Galvão, jornalista.

       O Homem sonha monumentos e só ruínas semeia, para pousada dos ventos.
                                                                                                             (Paulo Eiró)

   Há uns quinze anos, uma colega de trabalho, visitando o Museu Van Gogh, de Amsterdã, lembrou-se de mim ao deparar este postal, que reproduz uma das telas do notável pintor. Adquiriu o mimo e mô-lo presenteou. Trata-se de Crânio com um cigarro aceso, Antuérpia, 1885; 32,5 x 24 cm.
  Um menino britânico, de cinco anos, submetido à constante fumaça dos cigarros de sua mãe, fumante, tem pulmões que poderiam ser de um aposentado que tivesse fumado durante toda sua vida, segundo os médicos.

  O menino, Sol Rickman, foi submetido a uma cirurgia de rotina, em um hospital de Bristol, por apresentar problemas que o impediam de respirar e engolir normalmente, e quando examinaram seus pulmões, os médicos se assustaram, informou a imprensa britânica.

  A mãe, Kelly Rickman, de 23 anos, que tem outros três filhos de idades entre quatro anos e três meses, e fumava até vinte cigarros por dia, solicitou ajuda médica para tentar deixar o tabaco.

  Kelly Rickman afirmou em sua defesa que nunca acendia os cigarros na presença de seus filhos, mas em outro quarto e pensava por isso que não os estava prejudicando, embora tenha reconhecido que não era a única que fumava em casa maços de cigarros inteiros.

  Vários grupos antitabaco aproveitaram o caso para alertar sobre os riscos que os fumantes passivos sofrem, sejam crianças, sejam adultos, embora os primeiros sejam muito mais vulneráveis à fumaça, já que não têm ainda os pulmões plenamente desenvolvidas.

    Matéria

VIDA SAUDÁVEL

Claudinei Roberto Paolelli

Um protesto contra o tabagismo

   Existem remédios para combater os sintomas adquiridos pelo tabaco; então, podemos fumar à vontade?    Claro que não! Informações chegam até nós, mas preferimos ignorá-las, por falta de leitura e de aquisição de conhecimentos.
   O cigarro contém milhares de produtos químicos, sendo, uma boa parte deles, cancerígenos.
   Os produtos de combustão do cigarro tendem a paralisar os movimentos dos cílios que protegem a mucosa dos brônquios, que com o tempo perdem o movimento protetor e suas células ficam expostas a agressões diretas, sofrendo transformações que podem chegar ao câncer brônquico ou carcinoma broncogênico.
   Então, continuem fumando, pulverizando o ar e as roupas das pessoas que estão à sua volta, contaminando todos os ambientes, da criança ao adulto, com o aroma do alcatrão. Perfume conhecido em todo o mundo e que pode ser sentido em qualquer esquina das cidades.
   Continuem fumando: fumar faz bem, distrai, dá prazer, acalma e mata.
   O cigarro causa mais mortes prematuras do que a soma das mortes provocadas pela guerra, AIDS, cocaína, heroína, álcool, trânsito, incêndios e suicídios.
   Um terço das mortes por câncer tem como causa o cigarro.
   Para fabricar 300 cigarros, uma árvore é derrubada.
   No Brasil, são consumidos em torno de 130 bilhões de cigarros por ano, o que corresponde à derrubada de 426 milhões de árvores.
   E lembre-se sempre: CIGARRO É DROGA!