Entrevista - Correio Popular
Correio Popular - 21/03/2009
Professor Delattre, "O Caçador de Queimadas

Há 12 anos, ele sai atrás dos focos de incêndio ao menor sinal de fumaça; se é pequeno, apaga; se é grande, pede ajuda
O ditado popular que diz que onde tem fumaça há fogo se tornou uma espécie de lema do professor universitário Edson Delattre. Faz mais ou menos uns 12 anos que, ao menor sinal de fumaça, ele sai atrás do foco de incêndio. Se for pequeno, ele mesmo apaga, usando água, pedras ou o que estiver ao alcance. Caso contrário, aciona os bombeiros, a Defesa Civil e até a polícia se desconfiar que a origem é criminosa.

Delattre começou a procurar queimadas por acaso, durante uma visita à casa da filha, em Barão Geraldo. Ao chegar ao distrito, foi envolvido por uma fumaça ardida. A visita foi curta e o professor voltou para sua residência, no Chapadão. “Mas, quando cheguei, fiquei ressentido. Lembrei que estava respirando ar puro, enquanto minha filha continuava no meio da fumaça. A consciência doeu”, lembra. O professor voltou e começou a procurar onde estaria a queimada. Descobriu que ela tinha sido causada por uma mulher que colocara fogo em um monte de folhas verdes. “Falei com ela e a ajudei a apagar o fogo, explicando o mal que a fumaça podia causar. Daí para frente, isso virou uma obsessão.”

Professor no Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Delattre usa o conhecimento científico para convencer as pessoas a não fazerem queimadas. Para isso, produziu até folhetos e cartazes, que distribui pela cidade. Quando está diante de alguém que tenta atear fogo ao lixo, por exemplo, usa sempre o argumento da saúde. “Falo do mal que a fumaça pode causar, principalmente às crianças e aos idosos. Tocar na emoção das pessoas é infalível”, diz. A estratégia tem funcionado. Ele acredita que, em 95% dos casos, a pessoa desiste de usar o fogo e até o ajuda a apagar. “Já encontrei muita senhora tentando queimar folhas secas que se convenceu que este é o caminho mais prejudicial de se livrar do lixo.”

Nessa luta, fez também companheiros. “Me lembro de uma queimada de caixotes causada por um caminhoneiro. Fui até ele e o convenci de me ajudar a apagar o fogo. Outro dia, o encontrei na estrada, tentando conter um incêndio”, afirma. O caçador de queimadas se diz capaz de sentir o cheiro de fumaça a quilômetros. É o suficiente para analisar de que lado vem o vento e ir atrás do fogo. “Tem pequenas queimadas todos os dias. É incrível como as pessoas insistem.”

Nessa caça, fez também alguns inimigos. Já teve o pneu do carro murcho enquanto tentava convencer um homem a não queimar folhas secas num jardim na Vila Nova. Ameaças verbais, inclusive, de morte, também já tentaram inibir a atividade do professor. “Faço minha parte. Se na primeira ameaça eu tivesse desistido, certamente muitas outras queimadas teriam acontecido”, afirma. (Fabiano Ormaneze/Da Agência Anhanguera)

SAIBA MAIS

As estatísticas ajudam Edson Delattre na luta contra as queimadas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, no mundo todo, entre 2 milhões e 3,5 milhões de pessoas morrem intoxicadas por fumaça. Só no Brasil, 4 mil pessoas morrem anualmente por causa da queima de lenha, inclusive em fogões caseiros.

Entrevista - Jornal da Unicamp
Jornal da Unicamp
Ambientalista promove cruzada contra queimadas
Link da Entrevista
 
 
Entrevista - O Globo
O Globo 05/08/2008
Professor Atua Contra Queimadas Urbanas há 11 Anos
Link da Entrevista
 
Entrevista - Jornal da Unicamp
Jornal da Unicamp - 29/07/2008
Ambientalista promove cruzada contra queimadas

É incansável a luta do professor Edson Delattre, do Instituto de Biologia (IB) da Unicamp, para que sejam evitadas e reduzidas as queimadas urbanas. Suas ações voluntárias já duram mais de onze anos. Recentemente, o professor comemorou três anos que colocou no ar a ferramenta que serviu para potencializar a tarefa de combater, a qualquer custo, as queimadas na região de Campinas.O site foi denominado de queimadas urbanas e torna disponíveis as mais variadas informações sobre o assunto.
De artigos sobre os malefícios da fumaça até a íntegra da lei de crimes ambientais, a página na internet possibilitou fomentar novas ações voluntárias para o enfrentamento do problema. Como resultado, Delattre contabiliza a extensão do trabalho de prevenção e combate às queimadas nas cidades de Espírito Santo do Pinhal (São Paulo), Londrina (Paraná), Lambari (Minas Gerais) e Uruaçu (Goiás), além de novas ações voluntárias em Campinas.

O site disponibiliza, ainda, quinze folhetos para esclarecer pontos importantes, sendo que um deles indica “o caminho das pedras” para ser um voluntário. Com dinheiro do próprio bolso, ele imprime os folhetos e os utiliza como uma arma no combate a essa prática ilícita e nociva. “Pouco se divulgam os efeitos que a fumaça pode causar na corrente sangüínea e, conseqüentemente, no coração. É como se o planeta enfrentasse uma guerra química”, define.
Link da Entrevista
 
Entrevista - Folha de Londrina
Folha de Londrina, Quinta-feira, 31/03/05
Queimadas Urbanas: Incômodas e Perigosas
Usar fogo para eliminar lixo ou outros materiais pode produzir fumaça tóxica às pessoas e ao ambiente.

       Incômodas e perigosas, as queimadas urbanas são uma prática comum entre a população de Londrina. Método habitualmente utilizado para eliminar resíduos de podas de árvores e roçagem de terrenos vazios, o fogo também é usado para queimar lixo e outros materiais que, após entrarem em combustão, costumam ser tóxicos aos seres humanos e ao meio ambiente.


''O plástico, quando queimado, produz fumaça tóxica'', exemplificou o tenente Clodomir Marafigo Junior, do Corpo de Bombeiros de Londrina. Nos meses de maior estiagem, a corporação registra mais de dez ocorrências por dia. ''Como o número de chamadas é grande, deslocamos equipes apenas se as casas próximas são ameaçadas pelo fogo'', explicou. Quando não há risco de incêndio, as pessoas que se sentirem incomodadas com a queimada devem denunciar o fato à Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) pelo telefone (43) 3341-9660. Segundo o secretário do Ambiente, Cleidival Fruzeri, tocar fogo em qualquer tipo de resíduo é proibido e passível de autuação que pode resultar em multa. ''Se a queimada for em terrenos vazios, a responsabilidade é do proprietário'', orientou. Ele afirmou que a maior parte das ocorrências refere-se a resíduos de podas e roçagens. ''Queimadas de lixo e outros objetos são menos comuns. Em beiras de estradas ou loteamentos vazios, às vezes o fogo resulta do vandalismo de algumas pessoas'', completou, acrescentando que restos de vegetação devem ser entregues à Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo (CMTU), que se encarrega de levar os rejeitos à Fazenda Refúgio, para correta destinação.
       As queimadas ocorrem com mais freqüência em períodos de pouca chuva. Segundo a pediatra Solange de Fátima Vidigal, a associação entre a baixa umidade relativa do ar e a fumaça predispõe a doenças respiratórias. ''Quem é alérgico fica mais suscetível. A fumaça é um inalante que agride o sistema respiratório'', esclareceu. Entre as doenças possíveis de ocorrerem, a médica citou bronquite, rinite, sinusite e até conjuntivite alérgica. Para amenizar os efeitos da alergia, ela orienta a oferecer bastante líquido às crianças e evitar o contato com a fumaça.
       O professor universitário Edson Delattre, de Campinas, atua há oito anos como voluntário contra queimadas urbanas (ver texto nesta página). Segundo ele, grande parte das pessoas faz uso da prática por hábitos arraigados e falta de educação ambiental. ''Em alguns locais, as queimadas são tão comuns que até as crianças praticam, imitando os adultos'', contou.
       A solução para o problema, na opinião do professor, depende de ações preventivas e
efetivas por parte do poder público. Essas necessidades incluem limpeza constante de vazios urbanos e a investigação, identificação e detenção de vândalos que provocam incêndios por ''diversão''. ''Como trabalho de base, as escolas das redes municipal e estadual poderiam explorar o tema das queimadas urbanas em seus conteúdos programáticos. Muitas crianças passariam da condição de observadoras e imitadoras das ações indevidas dos adultos para a posição de críticos e propagadores do ideal antiqueimadas'', acredita.

       Professor se dedica a eliminar focos

     
  O professor universitário Edson Delattre, 51, realiza há oito anos uma ''cruzada solitária'' contra as queimadas urbanas. Criado em Londrina e morador de Campinas (SP) há 19 anos - onde leciona Fisiologia e Biofísica na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) - ele dedica parte do seu tempo a apagar o fogo ateado em terrenos e outros locais públicos, pelos lugares por onde passa. A mola propulsora da iniciativa é a preocupação com a qualidade do ar. A idéia surgiu há dez anos, quando Delattre, incomodado com uma queimada em um terreno próximo à sua casa, pegou um regador e apagou o fogo. Dois anos depois, ele repetiu a prática em um local perto da casa da filha. ''Desde então, nunca mais parei'', contou ele, que inclusive carrega água no carro para exterminar eventuais focos de incêndio.
       Vigilância e olfato sensível são as armas do professor que, além de apagar o fogo, procura os autores da ação. Quando os encontra, entrega panfletos sobre os efeitos nocivos da fumaça para o ambiente. Suas incursões são solitárias e bancadas com recursos próprios. Alguns colaboradores eventuais o avisam quando encontram queimadas, mas não há qualquer organização. ''É um trabalho completamente anárquico'', afirmou ele, que apresenta os resultados de seu empenho em congressos e, em breve, deve colocar no ar um site na internet.

Fonte: Cortesia Folha de Londrina
 
 
Entrevistas - EPTV
Eptv Campinas - 20/05/2005
Site oferece informações e dicas sobre queimadas urbanas
O pesquisador de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Edson Delattre, desenvolveu um site na Internet com orientações sobre queimadas urbanas. A página contém esclarecimentos sobre a legislação que proíbe as queimadas, os prejuízos que elas causam, dicas para evitá-las e informações sobre problemas de saúde causados pelas queimadas. Segundo Delattre, essa prática provoca sérios danos à saúde e prejudica o meio ambiente. Ele disse ainda que a fumaça é o lixo na forma de gases e de partículas.

A página informa que as pessoas interessadas em denunciar este tipo de crime devem ligar para a Secretaria de Meio Ambiente do seu município e solicitar providências ou ainda registrar um boletim de ocorrência na unidade que atende esses casos. De acordo com a legislação ambiental, provocar queimadas é considerado crime com punição prevista em lei federal. Se a queimada não for intencional, a pessoa pode ser condenada de seis meses a um ano de prisão, além de pagar multa e, se for intencional, a pena varia de um a quatro anos, também com multa.

A assessoria de imprensa da Polícia Ambiental informou que no caso de fogo em área urbana, as pessoas devem ligar para a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). A Polícia Ambiental disse que só pode agir em caso de queimadas rurais. As informações sobre queimadas podem ser acessadas no site Queimadas Urbanas.


Autorização para queimada de cana deve ser pedida até hoje

01/07/2005 14:27:00 - Termina nesta sexta-feira (1) o prazo para usinas e produtores de cana do Estado de São Paulo pedirem a autorização para a queimada. A autorização é necessária para propriedades com mais de 100 hectares de área cultivada. A licença é concedida pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente. No pedido de autorização, os produtores têm de declarar o total da área que será queimada, bem como quando o processo irá ocorrer. Até o próximo ano, a queima da palha deve ser reduzida em 30% da área de cultura de cana-de-açúcar. Este índice vai aumentar a cada ano, até a eliminação completa em 2021. As plantações com menos de 150 hectares ou com restrições à mecanização têm um prazo maior, que começa em 2011e vai até 2031. Em todo o Estado de São Paulo, a estimativa é de que metade das áreas tenha possibilidade de mecanização. Cerca de 25% delas já estariam adequadas. Segundo Edson Delattre, professor de Biologia da Universidade de Campinas (Unicamp), qualquer tipo de queimada pode gerar alterações no meio ambiente. “Na queimada, há perda da biomassa e contaminação do ar. Além disso, alguns produtos da cana, como o açúcar, podem ser contaminados e prejudicar a saúde”, disse. Delattre explica que, com a queimada, a palha da cana gera partículas e gases extremamente nocivos à saúde. “O ozônio irrita as mucosas dos olhos e do nariz e, às partículas de carbono, podem se ligar substâncias cancerígenas”, afirmou. A autorização pode ser pedida no site www.ambiente.sp.gov.br.
Cortesia - EPTV Campinas
 
 
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