
Hay que endurecer pero sin
perder la ternura jamás. Dr Ernesto Che Guevara.
Na vida, o mais importante não é aprendermos a lição
deixada pelo outros mas sim, fazermos nós, da vida, essa lição.
ED 26/6/76
A vida parece-me ser a constante busca das finalidades. ED 3/7/76
Quatro poemas abaixo são de GLAUCO MATTOSO, UM POETA
ECOLÓGICO, paulistano, nascido em 1951, tendo cursado biblioteconomia
e letras. Iniciou sua carreira literária na década de 1970,
quando aprendeu a ser rebelde para resistir à ditadura militar. Cegou
na década de 1990 e continua rebelde para resistir à ditadura
divina. Além de poeta, é ficcionista, ensaísta e letrista.
Entre suas obras estão Poesia digesta (Landy Editora) e Poética
na política (Geração Editorial). Glauco Mattoso na rede:
SONETO NÃO-GOVERNAMENTAL
O que é, o que é?
Responda antes que eu gongue!
Tem cara, ora de creche, ou de hospital,
às vezes até banco, e o capital
tem crédito que encurte, ora que alongue.
Nem clube de gamão,
nem pingue-pongue,
nem mutirão, nem multinacional,
nem fundo de quintal, nem estatal!
Não adivinha? É simplesmente a ONG!
Mais extra-oficial é
o combativo
estilo do Greenpeace ou dos anarcos,
que enfrentam as potências com motivo!
Meu caso é bem atípico:
com parcos
recursos conto, e da visão me privo,
mas contra os baleeiros vão meus barcos!
Se em sua faceta punk o
"poeta da crueldade" parece cético quanto à
preservação da natureza e antevê um futuro de total devastação,
pelo
lado hippie capitaliza o potencial mais utópico da contracultura para
sustentar que nunca é demais denunciar os predadores e protestar contra
os vândalos do meio-ambiente. Nestes sonetos fica patente que, ao lado
do niilista GM há um GM ecológico, vagamente esperançoso.
[Pedro Ulysses
Campos]
SONETO 842 DA ESTIAGEM
O incêndio florestal tudo devasta!
Reservas inteirinhas viram brasa,
e quem não desocupa sua casa
na pele vê que a sorte lhe é madrasta!
País carente ou rico,
extensão vasta
ou curta, o fogo até cidade arrasa!
Piora quando, cada vez mais rasa,
a suja água retida já não basta...
Se morro acima, é
fogo na canjica!
Se vai por água abaixo, desce o morro!
Correu, o bicho pega, e ai de quem fica!
O mar não tá
pra peixe, e, sem socorro,
em breve água só bebe gente rica:
se esgoto eu não beber, de sede morro!
"A água que sai das
torneiras, em Campinas, é fruto de um milagre"!
Prof. Dr. Arsênio Oswaldo Sevá Filho, FEM, UNICAMP, 7/8/2003.
Não obstante, é freqüente nos depararmos com pessoas promovendo hidratação das pedrinhas das calçadas de Campinas, num desperdício absurdo desse bem singular! ED
O ar que respiramos em Campinas é fruto de ignorâncias, estupidez, omissões e irresponsabilidades. ED 26/4/2005
SONETO 339 RECICLADO
Vivemos chafurdando em podriqueira.
Os ares se saturam de impureza.
As fezes empesteiam a represa.
Água já sai fedendo da torneira.
Nas carnes o sabor travado beira
a decomposição. À mesma mesa,
tresanda uma fruteira e mantém presa
a má respiração de quem a cheira.
Socorro! Vou morrer contaminado!
Nas vascas da agonia já estertoro,
somente prelibando meu bocado...
Que nada! O conservante,
o vento, o cloro
disfarça a podridão do mau estado...
Vomito, volto, voto, e já melhoro.
Poeta é aquele capaz de sentir o misto da dor universal. ED 14/11/83
A poesia pertence a seu próprio
tempo. O poeta precisa de uma comunidade de pessoas afins.
Marjorie Perloff (Ensaísta
e crítica literária norte-americana)
A todos os habitantes da terra pertencem os versos da vida. (Gostaria de saber
o autor)
"A poluição
tem uma estética própria. Abriu-se a caixa de pandora".
Prof. Dr. Arsênio Oswaldo Sevá Filho, FEM, UNICAMP, 18/3/2004.
CONTROLAR A POLUIÇÃO:
UMA ATITUDE TÃO IMPORTANTE COMO O AR QUE VOCÊ RESPIRA. SÓ
A UNIÃO DE CIDADÃOS, EMPRESÁRIOS E PODER PÚBLICO
PODE DAR UM NOVO FÔLEGO AO CONTROLE DA POLUIÇÃO DO AR.
PEQUENAS ATITUDES, GRANDES CONSEQÜÊNCIAS. (Projeto
Cidade Limpa: Correio Popular, Campinas, 2003)
Poderes
Públicos, que arrecadam muito, mas muito mesmo, por meio de muitos
impostos, estão em falta, com grandes débitos, em termos de
atenção às necessidades fundamentais de populações
brasileiras.
Em Campinas, é um enorme
desrespeito para conosco, os pagadores de tributos, o incomensurável
número de terrenos cobertos por matagal, durante a maior parte do ano
(ou durante todo o ano). É notável o número mensal de
cartas publicadas pelo jornal campineiro "Correio Popular", denunciando
o fato e pedindo providências à Prefeitura.
Citarei apenas um, dentre milhares
de exemplos. Bem próximo de uma das entradas da UNICAMP, ao lado de
um posto de combustíveis, existe um terreno, desprovido de calçada
e de alambrado, onde, há muitos anos, o que se vê é uma
sucessão de matagal e incêndios. O capim chega à estatura
de mais de três metros e é entremeado de lixos, rejeitos e queimadas.
Providências oficiais? Ah, ah, ah, ora, pois, pois!!! Tá lá
o terreno, prá quem quiser conferir! Aliás, tá aqui na
foto.
Afora
os variados problemas gerados pelos matagais, estão os freqüentes
incêndios, provocados por pessoas ligadas ao dono do terreno (ou por
ele próprio), além da ação de doentes compulsivos
piromaníacos, como já cheguei a filmar, há vários
anos. Em Campinas, piromaníacos polulam e
poluem. Creio que é tarefa das polícias identificar
e deter esses maníacos. Afinal de contas, tanto provocar incêndio,
quanto promover queimada, são crimes!
Se há terreno com matagal
ou capim seco, próximo de sua casa ou apartamento, preste atenção
em veículos parados, com pessoas que aparentemente não quererem
nada. Podem ser piromaníacos!
Nesse particular, Campinas deveria mirar-se no exemplo de Londrina. Embora
lá, também, haja muitas falhas, não ocorre esse número
absurdo de queimadas em terrenos com matagal, tão freqüente em
Campinas. Depois de conceder prazo, divulgado pela imprensa, a Prefeitura
de Londrina entra, roça e lança os custos e multas para o proprietário
descuidado pagar. Ela, também, concede desconto para o proprietário
que planta e cuida do terreno. Sem falar que, lá, o valor do IPTU de
terrenos vazios é bem salgado, desestimulando o uso especulativo
desse tipo de imóvel. EDelattre 21/4/2005
Em média, trabalhamos o equivalente a três meses e mais vinte dias, só para pagarmos tributos. Virtualmente, o brasileiro começa a embolsar seus proventos somente a partir de 21 de abril, de cada ano, dia em que se comemora a Inconfidência Mineira, revolta contra a operação derrama, da Coroa Luzitana. Nos tempos atuais, as derramas são intermediadas pelos áulicos brasileiros. Conclusão: Dinheiro no bolso, só depois da derrama. (ED, com base em informe da Rádio Joven Pan, 21/4/2005).
..... SOMOS TODOS SUICIDAS, QUANDO PERMITIMOS QUE SE DESMATEM MILHARES DE ÁREAS VERDES, QUANDO NÃO REAGIMOS ÀS POLUIÇÕES AMBIENTAL, VISUAL E SONORA. Pe. Zezinho ( Um Planeta Chamado Homem. Revista Ave-Maria, fevereiro/2004, pg 11). Padre Zezinho é escritor, compositor e conferencista.
Injustiça e omissão se dão a mão. ED 4/5/84
É
preciso, antes de mais nada, repensar o ato de pensar
Fica aqui como motivação para o pensar um
pequeno poema de Bertold Brecht:
Nada é impossível de mudar
Não há comparação
Entre o que se perde por fracassar
E o que se perde por não tentar.
(Francis Bacon)
Meta-forando: Em
certa província, existia uma medíocre equipe de futebol. Num
jogo muito importante, ela teve seu principal jogador expulso, aos 5 minutos
de partida. Seu técnico, igualmente medíocre, alterou o desenho
tático do time e inovou, criando o esquema 1:7:1. Durante
85 minutos, a bola ficou com os jogadores do meio de campo, de uma para a
outra lateral. A narração do jogo seria: A que passa para B,
que dá prá C, que volta prá A, que inverte o jogo para
D, que devolve para A. Todos, encerando e amorcegando o
jogo, no meio de campo. De quando em vez, uma firula mais ousada quase acordava
as torcidas. Tudo, porém, sem qualquer objetividade. O atacante, pobre
coitado, passou o tempo inteiro enfiado no meio dos zagueiros adversários,
sem receber lançamentos, sem poder chutar em gol, sem produzir coisa
alguma. Um desastre tático, uma ineficiência total. As torcidas,
que pagaram o seu tributo para receberem algo em contrapartida, passaram
o jogo inteiro vaiando e reclamando mais ação, maior eficiência
dos atacantes. E o jogo, totalmente chocho, acabou no zero a zero, com todo
o estádio descontente, já que as torcidas queriam, no mínimo,
o um a um!
Com base nas minhas constatações,
é assim que joga o time oficial de combate à poluição
atmosférica provocada por queimadas, na cidade de Campinas.
Casuística:
Nos dias 23, 24 e 25 de abril, parte dos moradores do J. Chapadão (Campinas)
viveram mais de 40 horas de poluição química, gerada
por uma queima de rejeitos plásticos, papéis e outros materiais,
em propriedade particular fechada. Um odor fétido e nauseante tomou
conta das moradias. Pessoas chegaram a passar mal. Na manhã de 24/4
(domingo), pedi providências aos Bombeiros, Defesa Civil e Guarda Municipal
Ambiental. Não obstante, tudo continuou como dantes, queimando e poluindo.
Na manhã da segunda-feira (25/4), quem passou pela calçada,
próximo do local, ainda pôde sorver as sórdidas emanações
químicas. Fui ao 3º Distrito Policial e registrei um BO.
Concluindo: Estamos
nós, pagadores de tributos, órfãos de pai e mãe,
em termos de atendimento às nossas necessidades fundamentais. Afinal,
existe algo mais fundamental do que respirar? Nessas situações,
o que fazem os Órgãos oficiais de defesa do meio ambiente?
Fora da política, fora do poder, tudo é ilusão. Arnaldo Jabur, CBN-Rio, 18/4/2005, 13:30 h .
Faz-se necessária uma visão mais feminina do meio ambiente e dos seus problemas. É preciso que todo cidadão pratique a ecopolítica. José Pedro Martins, Jornalista voltado para a Ecologia, lançou seu livro sobre o assunto, dia 26/4/2005, em Campinas.
O Brasil está todo por fazer. Prof. Dr. Cristovam Buarque
Nada resiste ao trabalho. Prof. Dr. Euclides de Jesus Zerbini
Ninguém é brasileiro impunemente. ED
Prá acabar com essa baderna
Só quando vampiro doar sangue
E o saci cruzar a perna.
Letra
musical do sambista Bezerra da Silva,
falecido em 17/2/2005.
Portanto, só nos resta a esperança da criação de vampiros transgênicos, bem como do implante de células-tronco (e membros). ED
Creio que os males do momento atual vão passar. É só questão de tempo. Mais alguns 505 anos e tudo será bem diferente, certamente! ED
Agora, mais um poema do GLAUCO MATTOSO
SONETO 734 INTOXICADO [a Redson]
A fim de que o povão mais
adoeça,
precise de mais drogas e as consuma,
a indústria farmacêutica tem uma
perversa conspirata na cabeça.
Em seus laboratórios faz que
cresça
o número dos vírus, e se alguma
moléstia está em partícula que esfuma,
fabrica e a lança ao ar em névoa espessa.
Da noite para o dia, a propaganda
espalha que saiu novo produto,
mas só protege até que a coisa expanda.
A prova de que o antídoto
é fajuto
é a cor de merda n'água, que, antes branda,
mais suja está que os sapos que degluto.
Se queres produzir algumas interrogações, estuda; se queres produzir inúmeras, pesquisa! ED 19/4/83
O saber é, ao mesmo tempo, tirano e redentor. ED 1/4/83
Hay que hacer la opresión
real todavia más opresiva, añadiendo a aquella la conciencia
de la opresión... (Karl Marx, in Paulo Freire - Pedagogia
do Oprimido)







Desconfiai
do mais trivial, |
Na
aparência singelo. |
E
examinai, sobretudo, o que parece |
habitual. |
Suplicamos
expressamente: |
Não
aceites o que é de hábito |
Como
coisa natural, |
Pois
em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, |
De
arbitrariedade consciente, |
De
humanidade desumanizada, nada deve parecer natural |
Nada
dever parecer impossível de mudar. |

Um breve relato indignado, sobre o absurdo número de queimadas urbanas em Campinas
Abasteça seus pulmões, em qualquer ponto
da cidade, com gases nocivos e partículas venenosas.
Os hospitais agradecem pelas visitas diárias
de adultos e crianças que ali chegam, com seus pulmões encharcados
de fumaça tóxica. Estes enfermos se divertem, algumas
horas por dia, com máscaras para oxigenar seus pulmões, porque
alguém fez, em sua hora de lazer, queimadas em terrenos, lixões
e em outros locais. Muitos humanos, desinformados ou insensíveis, acumulam
folhas e vários tipos de lixo na calçada e ateiam fogo. Assim,
enviam para o ar, principalmente para que seus próprios familiares
e vizinhos possam saborear, a qualquer hora do dia, a composição
físico-química de mais de 70 produtos tóxicos, diversos
deles dotados de ação cancerígena.
As fortunas de dinheiro público, gastas em internações
e remédios, decorrentes das queimadas, poderiam ser investidas em escolas,
saneamento básico, rodovias, mensalões etc.
A fauna ruminante agradece pelas queimadas executadas em
pastos, por ficarem sem o alimento necessário. Imaginem se alguém
fizesse queimadas de hortas e pomares?
Toda fumaça é prejudicial à saúde,
sendo o malefício maior para crianças, idosos, enfermos e gestantes.
A fumaça já tirou a vida de centenas de milhões de pessoas,
pelo mundo afora, ao longo dos milênios de história. Também,
milhares de pessoas morreram em acidentes provocados pela fumaça, durante
queimadas executadas próximo de rodovias.
Para concluir: os animais admiram as pessoas irracionais,
que transformam o meio ambiente em um planetinha chamado poluição.
Queimar é crime ambiental: Lei
Federal n° 9 605, de 12/2/1998. Esta lei prevê multa e prisão.
Campinas,
23/7/2005
“Há três tipos de governo: 1)
o que faz acontecer; 2) o que assiste acontecer; 3) o que nem sabe o
que acontece.”
George
Santayana (1863-1952), filósofo americano
Claudinei Roberto Paolelli
Um protesto contra o desperdício desse bem singular.
Água: substância com molécula composta
por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio
(H2O). Suas propriedades físico-químicas diferem muito das de
qualquer outra substância.
A água abastece residências, hospitais, indústrias
e uma infinidade de outros locais. A falta d’água em nossas residências
pode acarretar sérios transtornos. Será que alguém pretende
levar fardos de roupas para lavar nos rios? Rios que já estão
contaminados e irão se contaminar ainda mais, com a lavagem de roupas.
Alguém se habilita a retirar água do poço
ou esperar chover, para encher baldes? Água de chuva, mas que chuva?
Se continuarmos devastando, fazendo queimadas, contaminando
a terra, faremos com que sequem as minas d’água. Portanto, devemos,
também, cuidar dos nossos rios.
Indústrias, condomínios devem fazer reservatórios
captadores de água de chuva, para que esta possa ser usada em sanitários,
bem como na lavagem de calçadas.
A contaminação e o desperdício são
atualmente os maiores inimigos da água. E com a falta d’água,
futuramente, uma das conseqüências será a falta de energia
elétrica.
Portanto, economize, não desperdice e, no futuro,
não precisará guardar enormes quantidades de ouro para comprar
um copo de água.